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1. Poesia Trovadoresca

Contextualização histórico-literária

A poesia trovadoresca floresce em Portugal e na Galiza, em Castela, Leão e Aragão, desde finais do século XII até meados do século XIV. O idioma usado por excelência é o galego-português (dialeto falado na Galiza, a norte de Portugal)
Podemos distinguir quatro períodos no nosso trovadorismo:

  • o período pré-afonsino;
  • o período afonsino;
  • o período dionisíaco;
  • o período pós-dionisíaco.

O período mais rico da poesia trovadoresca é o período afonsino, que abrange os reinados de D. Afonso III (1245 –1279) e de Afonso X de Castela. Sendo que os autores mais antigos que se conhecem são o rei D. Sancho I (1145 – 1211) e João Soares de Paiva (nascido por volta de 1140).

Os cultores desta poesia chamam-se «trovadores» e «jograis» ou «segréis», sendo os primeiros normalmente de origem social elevada e, como diz Jacinto prado Coelho, «criadores de poesia por galanteria cortesã e comprazimento estético» e os jograis ou
segréis «homens de condição inferior que ora cantavam música e poesia alheias, ora eles próprios compunham, para tirarem proveito da sua arte». Estes últimos andavam de corte em corte a distrair e entreter os senhores e eram frequentemente acompanhados por soldadeiras, mulheres que eram remuneradas para cantarem ou dançarem, animando ainda mais os serões nos castelos.

Para explicar a origem da poesia trovadoresca existem quatro teses sistematizadas e expostas:

  • Tese folclórica – explica o nascimento da poesia trovadoresca a partir das festas pagãs de maio, da Primavera e dos cultos de Vénus, Baco e das divindades ligadas à vida.
  • Tese litúrgica – defende que esta poesia é uma derivação da poesia religiosa, com origem na poesia hebraica e que o culto à Virgem Maria estaria na base do culto da mulher, da veneração do trovador perante a dama cantada. Tratar-se-ia da profanação da poesia litúrgica a que não seriam alheias as romarias e peregrinações religiosas, especialmente a de Santiago de Compostela.
  • Tese arábica – justifica o aparecimento da poesia dos trovadores por influência da poesia árabe.
  • Tese médio-latinista – explica o fenómeno trovadoresco a partir da poesia latina sentimental (nomeadamente de Ovídio e Catulo), que teria sido popularizada pelos goliardos (monges errantes, antepassados dos trovadores) e que estaria na origem da poesia provençal.

Embora a origem conserve algum mistério, parece que a hipótese mais provável pressupõe a combinação da tese folclórica e da tese litúrgica.

Os textos conhecidos estão reunidos em quatro Cancioneiros (três de carácter profano e o último de carácter religioso), muito próximos entre si: Cancioneiro da Ajuda; Cancioneiro da Biblioteca nacional; Cancioneiro da Vaticana e as Cantigas de Santa Maria.
Nos Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana estão representados três géneros diferentes de composição: cantigas de amigo, cantigas de amor, cantigas de escárnio e maldizer.

Cantigas de Amigo

Nas cantigas de amigo, o trovador expressa, pela boca de uma donzela, a menina, os sentimentos que supõe que esta sente em relação ao amado e os estados emocionais experimentados por ela, que padeceria a paixão amorosa – a coita (desgosto) de amor.
As variedades principais são:

  • alvas ou albas - são as cantigas em que aparece o romper do dia, a alvorada, como momento de separação e despedida de dois apaixonados.
  • barcarolas ou marinhas - são chamadas assim por nelas predominarem os motivos marinhos, referentes ao mar ou ao rio, onde a donzela vai esperar o amigo ou lamentar-se da sua ausência.
  • bailias ou bailadas - são todas simples que acompanhavam a melodia de dança. Daí a importância que nelas tem o aspeto musical realçado pelo paralelismo e existência indispensável do refrão. Ao contrário das anteriores, em que o tom é triste, o tema é a alegria de viver e amar.
  • cantigas de romaria ou romarias - mencionam-se festas e peregrinações a santuários e capelas onde a donzela vai cumprir promessas, rezar pelo amigo ou simplesmente distrair-se em locais de culto que ainda hoje perduram.

As cantigas de amigo são de raiz peninsular, originárias da Galiza e Norte de Portugal, e apresentam uma simplicidade e espontaneidade notáveis, em oposição ao palacianismo e convencionalismo das cantigas de amor.

Cantigas de Amor

Os trovadores chamaram cantigas de amor às composições em que o poeta exprime os seus sentimentos por uma dama, refletindo a maioria das vezes um amor infeliz, incompreendido e insatisfeito. Perante a “senhor”, o poeta apaixonado humilha-se, suplica e adora como um vassalo o seu suserano. Frequentemente diz só lhe restar morrer de amor ao aperceber-se da indiferença, frieza e distanciamento da amada. As cantigas de amor galego-portuguesas refletem forte influência provençal, não só a nível do conteúdo como a nível formal.

Cantigas de Escárnio e Maldizer

Trata-se de um género satírico. Nas cantigas de maldizer, o trovador troça das pessoas ou das ações de determinados indivíduos, em termos diretos e «a descoberto», nas cantigas de escárnio o poeta recorre ao duplo sentido das palavras, criticando e escarnecendo de alguém «per palavras cobertas». Esta crítica cai essencialmente na crítica individual e utiliza a ironia, o chiste e até a linguagem obscena com o intuito de ferir.





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