Meios de Pagamento

Meios de Pagamento
Comprar Já

3. Texto dramático II

Lê atentamente o excerto que se segue.

ATO VI

O palco tem o pano caído. Do lado esquerdo, encontra-se o baloiço da Joana, no chão, sobre o qual incide um foco de luz branca.

(A professora Margarida, directora de turma da Joana, vinda da plateia, sobe ao palco, coloca-se ao centro e fica à boca de cena.)

PROFESSORA MARGARIDA

Boa tarde a todos! Eu sou a professora Margarida. Fui directora de turma da Joana, do sétimo ao nono ano e queria pedir a vossa máxima atenção para um convidado especial que aqui vamos ter hoje para nos dar o seu testemunho e que quis oferecer à nossa escola um presente muito... original. (Aproxima-se do baloiço e aponta-o.) O que temos aqui é... um baloiço diferente dos normais e, para nós que fomos amigos da Joana, tem um significado profundo, visto que lhe pertencia e estava pendurado no seu quarto. (Pausa breve) Não vou dar-vos mais explicações sobre este baloiço branco em meia-lua, porque, para isso, vamos contar com a presença do nosso convidado, que chamo agora ao palco, o doutor Brito, médico-cirurgião!

(O público bate palmas, mas logo o Dr. Brito faz sinal para que parem, com um gesto da mão.)

(Uma aluna do Secundário, surge, então, pelo meio da cortina. Traz na mão direita a flor branca que esteve sempre no cenário A e, solenemente, vai entregá-la ao Dr. Brito. Depois, em silêncio, dá-lhe um abraço apertado e, sempre devagar e olhando o Dr. Brito, afasta-se, entrando pelo meio da cortina.)


DR. BRITO

(Sorrindo com modéstia) Boa tarde! Sou o pai da Joana e chamo-me João Brito... (Pausa) Começo por vos confessar que é a primeira vez que venho aqui à vossa escola... (Com alguma ironia) Dantes, achava que não tinha tempo... (Pausa breve) É bom reconhecer, no meio de vós, alguns dos amigos da minha filha! Bem hajam por estarem presentes! (Pausa) Queria contar-vos uma história... (Pausa breve) Uma história verdadeira! E, para contar uma história verdadeira, é preciso dizer toda a verdade... Por isso, a primeira coisa que devo confessar-vos é que comecei a conhecer a minha filha, a Joana, no dia em que ela morreu... (Pausa breve) Para contar esta história, vou chamar quem nela participou. (Pausa. Em seguida, chama, um a um os actores da peça, por ordem de entrada em cena, os quais, de mãos dadas e com o Dr. Brito ao centro, fazem uma vénia prolongada.)

(Enquanto os actores se retiram do palco, ouve-se o refrão de uma canção de Luís Represas: «Há sempre alguém que nos diz: Tem cuidado! / Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco. / Há sempre que nos faz falta à saudade…”).
Maria Teresa Maia Gonzalez, Os Herdeiros da Lua de Joana, Babel, 2010.

1.    Localiza o excerto apresentado na estrutura externa da obra.

2. Retira do texto um exemplo de didascália ou indicação cénia e explica a sua importância.

3. Identifica os adereços presentes em palco.

3.1. Qual deles consideras o mais importante neste excerto? Justifica a tua resposta.

4. Classifica a personagem “aluna do Secundário” quanto à sua relevância na acção.

“Uma aluna do Secundário, surge, então, pelo meio da cortina. Traz na mão direita a flor branca que esteve sempre no cenário A e, solenemente, vai entregá-la ao Dr. Brito”


5. Comenta a importância e significado deste gesto.

A aluna do Secundário entrega uma flor branca ao Dr. Brito.

5. Explica por que razão o Dr. Brito faz esta afirmação.

“Por isso, a primeira coisa que devo confessar-vos é que comecei a conhecer a minha filha, a Joana, no dia em que ela morreu...”.

6. O excerto termina com o refrão de uma cançaõ de Luís Represas. Que mensagem achas que se pretende transmitir com este refrão?




PDF Soluções
Topo