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1.4 Categorias da narrativa

O Texto narrativo, como já foi referido, caracteriza-se por uma sucessão de acontecimentos relacionados entre si, que se desenrolam ao longo do tempo e ocorrem em determinado espaço.

Tempo

Quando a acção ocorreu (Quando?)

  • Tempo Psicológico é o modo como as personagens vivem o fluir do tempo. 

Ex: Muito custou aquela manhã a passar! …

  • Tempo Cronológico representa os diferentes momentos em que se vão situando os acontecimentos, seguindo uma certa ordem. 

Ex: Nesta paz as forças do Cavaleiro cresciam dia a dia até que, ao cabo de cinco semanas de descanso, ele pôde despedir-se dos frades e continuar o seu caminho (…)

Mas quando chegou ao grande porto de mar era já o fim de Setembro e os navios que seguiam para a Flandres já tinham partido todos.

Sofia de Mello Breyner Andersen,"O Cavaleiro da Dinamarca".

  • Tempo da História tem a ver com a localização temporal das acções narradas.
  • Tempo da Narrativa ou do Discurso corresponde ao momento em que são referidos os acontecimentos na narrativa.
  • Tempo Histórico é o contexto em que se situa a narrativa.

Ex: O dia 6 de Janeiro do ano da redenção 1401 tinha amanhecido puro e sem nuvens.

Alexandre Herculano "O Cego" in Lendas e Narrativas

No exemplo, o Tempo Histórico, corresponde ao inicio do século XV. Não coincide com o tempo em que o autor viveu e escreveu o texto (século XIX).

Ex: "São 17 deste mês de Julho, ano da graça de 1843, uma segunda-feira, dia sem nota e de boa estreia. Seis da manhã a dar em S.Paulo, e eu a caminhar para o Terreiro do Paço.

Almeida Garrett," Viagens na Minha Terra"

Espaço
 
Onde a acção se deu (Onde?)

  • Espaço Físico não é o único onde decorre a acção.

Ex: Veneza, construída à beira do mar Atlântico sobre pequenas ilhas e sobre estacas, era nesse tempo uma das cidades mais poderosas do mundo. Ali tudo foi espanto para o dinamarquês. As ruas eram canais onde deslizavam estreitos barcos finos e escuros. Os palácios cresciam das águas que reflectiam os mármores, as pinturas, as colunas.

Sofia de Mello Breyner Andersen, "O Cavaleiro da Dinamarca"

  • Espaço Social corresponde às características culturais, económicas, políticas e morais de uma sociedade.

Ex: (…) Seguida por Lúcia, a tia atravessou a grande entrada iluminada …(…) Lúcia um pouco entontecida por tantas caras desconhecidas e tantos vestidos de tantas cores e pela profusão de vozes e flores e luzes e perfumes… (…) A dona da casa chamou

a sua filha que sorriu, deu um beijo a Lúcia e a levou para a sala de baile.

Sofia de Mello Breyner Andersen, "História da Gata Borralheira", in Histórias da Terra e do Mar.

  • Espaço Psicológico diz respeito à vivência íntima das personagens.

Ex: (…) Depois na rua Carlos parou, deu um longo olhar ao sombrio casarão (…) Uma comoção passou-lhe na alma, murmurou, travando do braço de Ega:
 
- É curioso! Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!

 
Ega não se admirava. Só ali, no Ramalhete, ele vivera realmente daquilo que dá sabor e relevo à vida – a paixão.

Eça de Queirós, "Os Maias"

A Personagem
 
Quem participou ou observou o ocorrido (com quem?)
 
As Personagens de uma Narrativa podem ser:

  • Principais (ou protagonistas)
  • Secundárias
  • Simples figurantes, consoante a importância que apresentam.

Caracterização de Personagens

Caracterização Directa: a personagem pode ser directamente caracterizada pelo narrador, por outra personagem ou por si própria.

Ex: (…) Eis um pobre viúvo, acabrunhado pela dor, precocemente envelhecido, amparando a filhinha indefesa.
 
Alto e robusto, ossudo e severo, de olhos cinzentos e compridos bigodes, o senhor Piorkowski tem seja o que for de marcial, que impõe respeito.

José Rodrigues Migueis, "Uma Aventura Inquietante"

  • Caracterização Indirecta: quando é o leitor a tirar as suas conclusões.

Ex: - O país anda infestado de estrangeiros. Têm sido a nossa desgraça. Só cá vêm fazer a vida cara.
 
- A quem a senhora o diz! Uma corja-polacos, judeus, italianos, russos…
 
Ah! Esta terra era uma bênção. Agora é deles. Era acabar-lhes com a raça. Rua! (…)

José Rodrigues Migueis, "Uma Aventura Inquietante"

Neste exemplo tiramos como conclusão comportamentos "xenófobos" ou seja com uma acentuada hostilidade em relação aos estrangeiros, por parte das duas personagens.







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